Paradigmas são vistos de maneira respeituosa. Eles tendem a ser cultivados pela mesmice dos mesmos que a cultuam. As grandes mudanças do mundo acabaram, na maioria das vezes, acompanhadas de uma movimentação sócio-econômica-cultural-religiosa que as pessoas não conseguiam mais respirar a pressão por um novo estado de ser. Vejam bem, pressão por um novo estado de ser….Isto é: algum grupo de pessoas pensantes se preocupa em mudar! Sim, mudar! E se não muda, ao menos instiga para que a turma da mesmice saia da zona do conforto.
A arte tem um papel muito forte nesse processo todo. Não vou ficar aqui relembrando movimentos artísticos ou artistas que se propuseram a fazer isso nas antigas. Vamos falar de algo mais fresco.
A 28 Bienal de São Paulo ”em vivo contato” traz de encontro justamente isso. Este próximo encontro de artistas contemporâneos que a cidade vai receber tem toda uma proposta central de reavaliação dos modelos deste tipo de exposição presente em mais de duzentas capitais espalhadas pelo mundo. Isto é magnífico. Estava demorando para que esse tipo de movimento acontecesse na esfera artística. Artistas são inquietos. Denunciam, questionam, criticam e constroem.
Dentro de uma linha conceitual já traçada pelos organizadores desta próxima edição da Bienal, existe um andar do prédio que estará vazio. É a chamada Planta Livre. Ora, “mas que pretenção!!??” – já diriam os da mesmice. Como que um evento de arte deste calibre pode deixar um espaço de vários metros quadrados vazio com tantos sedentos artistas para expor seus trabalhos?? “Esse é o espaço em que tudo está em um devir pleno e ativo, criando demanda e condições para a busca de outros sentidos, de novos conteúdos.” Esta é a essência da reciclagem expressada.
E o que dizer então de Damien Hirst? Artista plástico que por muitos vem sendo criticado e por outros tantos louvado. O cara revoluciona o mercado da arte com suas obras um tanto quanto bizarras. Mórbida? Luxuosa? Cult? Vai saber…Ao fazer o leilão entitulado ”Beautiful inside my head forever” no Sotheby`s em Londres, o artista em uma tacada só mostrou ao mundo que os paradigmas do mundo artistíco quase não existem. Faturou vários milhões de doláres com a venda de suas obras e ainda denunciou o esquema que as galerias adotam de comissão sobre as obras do artista.
Ele leva suas obras direto para as casas de leilões e elimina as comissões cobradas pelas galerias. A argumentação que ele usa é justamente que se um leilão de arte pode levantar milhões de libras em um momento conturbado na econômia, mais pessoas podem ser atraidas para a arte.
Essas movimentações são muito bem vindas. Pouco compreendidos pelos da mesmice e ouvacionado por mim.
Duchamp está rindo sozinho…:)


