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Arquivo Universal

Foto: divulgação

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“Arquivo Universal”, nova exposição do Museu Berardo em Lisboa, propõe uma multiplicidade dos caminhos históricos da fotografia anterior ao evento Photoshop. Neste espaço nada se apaga, mas tudo se manipula. Muitos dizem que o Photoshop matou a fotografia. O argumento é que o Photoshop acabou com o realismo e nos tornou cínicos – matou a inocência necessária para ler a imagem fotográfica enquanto testemunho transparente do mundo.

No inicio deste mês o Museu Berardo abriu a exposição “Arquivo Universal – a condição do documento e a utopia fotográfica moderna”, uma mostra assombrosa com mais de mil documentos fotográficos de meados do século XIX ao final da década de 80 do século XX, representando 250 autores internacionais e expondo como complemento dezenas de publicações e filmes. A mostra propõe uma discussão sobre o caráter documental da fotografia ao longo do ultimo século e sua leitura artística contemporânea, com ênfase na crítica a manipulação e sua conseqüência na significação dos fatos.

Tinta invisível, cortinas de fumo, filtros, máscaras: sejamos duplamente cínicos, o Photoshop foi o fim sim, mas não o fim do real, foi o fim da ilusão – o fim da ilusão sobre a possibilidade de um olhar sem ponto de vista, sem intenção, sem artifício, que é como quem diz um olhar sem ideologia. Acontece que a fotografia sempre foi uma arma ideológica. É só voltar atrás na história e perceber que ela pode atuar como ferramenta de manipulação da opinião pública.

Jorge Ribalta, responsável pelo Serviço Educativo do MACBA, partiu de três perguntas-base a cerca do tema dessa mostra: qual o sujeito de uma imagem documental?, que tipo de espaço público produz um documento?, e como é que um documento produz conhecimento? “Há teóricos que defendem que com o Photoshop a fotografia deixou de ser realista. Eu defendo que é necessário defender a fotografia como documento. Se não tiver este lado, para mim, a fotografia não serve para grande coisa. Para mim, o aspecto mais interessante da fotografia é não ser apenas arte e viver em diferentes campos sociais. Esta exposição tenta ser o contraponto à moda do documental na arte contemporânea: tenta devolver densidade ao documento face à banalização do seu uso na arte contemporânea.”

“O Photoshop e a fotografia digital parecem acabar com o realismo fotográfico ou, pelo menos, parecem comportar uma mudança de estatuto do índice fotográfico. Mas, uma vez mais, esta possível mudança não deve ser banalizada porque comporta conseqüências decisivas sobre a própria noção de história”, escreve Ribalta no catálogo da mostra.

Apesar de a História ter morrido em 1806 na batalha de Jena, ter voltado a morrer com o Holocausto e, depois, de novo, com a queda do Muro de Berlim e a publicação de “The End of History”, de Francis Fukuyama, em 1989, Ribalta pergunta: “Será a era pós-fotográfica uma era pós-histórica?” E responde: “Renunciar ao documento (no caso da fotografia, renunciar ao realismo) não parece uma opção viável dado que enquanto houver formas de existência social e de produção de hegemonia o documento continuará a ser um espaço fundamental no conflito simbólico”.


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