Acho importante fazer homenagens as pessoas que admiramos. Me sinto bem seguro quando reverencio meu amigo Alejandro Jodorowsky. Na verdade nunca lhe vi pessoalmente, apenas lhe conheço através de seu imaginário, o qual deixa claro em seus livros e filmes. Por isso sinto tal intimidade… fico pensando se sou o único que sente isso, acredito que não…
Jodorowsky me inspira uma vida instensamente criativa e crítica de busca por consciência. Quase como uma iluminação budista, porém com muito mais agressividade/humanidade. É invariavelmente teatral e simbólico, pode ser Deus e Diabo com naturalidade. Sua trajetória de vida pode ser conhecida no livro “A Dança da Realidade” em que conta de maneira extremamente poética suas memórias de jovem.
Em um outro livro, “O dia em que Tereza brigou com Deus”, Jodorowsky faz uma grande retrospectiva de sua árvore geneológica, transforma os personegens de seus antepassados em verdadeiros mitos, criando um significado metafórico para sua existência, fazendo da memória uma lenda eterna. É um sábio ensinamento: em que na vida devemos ser bons contadores de histórias e que os fatos só se convertem em experiência quando são relatados. Todos nós somos heróis em nossas famílias!
Se seus livros livros são um manual de vida seus filmes são uma bomba de mensagens simbólicas, poéticos existênciais, com um tratamento cenográfico extremamente plástico. Destaco “El Topo”, “Fando y Lis” e “La Montaña Sagrada”. Os três levam o espectador a uma viagem onírica no mundo real, com ensinamentos terapêuticos de auto-conhecimento e respeito pela vida (e pela morte).
No teatro marcou época com o Movimento Pânico, em que fazia uma verdadeira releitura do inconsciente, manifestando todo o caos interno no palco. Tinha como intenção trazer grandes traumas individuais, ou coletivos, para que fossem expressos através de performances livres sem qualquer tipo de censura, liberando energias negativas e destruidoras indo de encontro a paz e a beleza verdadeiras.
Jodorowsky além de tudo isso e por causa de tudo isso se tornou terapêuta, criou a Psicomagia como abordagem clínica. Acho que essa construção veio de uma grande potência sua como artista, sempre esteve a serviço da visão, da ampliação da consciência. Este é o maior motivo de estar sendo honrado aqui neste espaço, por que tem o objetivo de fazer da arte uma ferramenta de cura / transformação, sem moralismos, simplesmente podendo existir em plena potência.

